21 de novembro de 2009

A estética da barbárie é a barbárie da estética?

Sobre a estética da barbárie, ou, primeira parte.

Fome, dor, miséria, guerra. As tragédias humanas perpetuam-se na história, talvez de forma mais significativa de que as grandes epopéias. O que marca mais o século XX do que as guerras mundiais e os movimentos totalitaristas, como o Nazismo de Hitler, e o Fascismo de Mussolini? Por que os dramas humanos nas artes têm efeito que alcança níveis superiores frente aos outros sentimentos, como a alegria, por exemplo?

A barbárie porém não é um elemento novo na história de nossa civilização, e seus resquícios são observáveis ainda hoje, na incipiência de um novo despertar. Por isso precisamos estar atentos, policiados espiritualmente, para que o gérmen da bárbarie que oculta moradia em pequenos gestos como a intolerância à diferença fazendo parte habitual do nosso cotidiano, não amaine nosso espiritual frente ao obscurantismo da nossa potência humana. O alerta contra a barbárie, por sua incidência velada, faz-se necessário, principalmente em nossos dias, visto o potencial bélico que as sociedades humanas alcançaram.



Não é segredo que as sociedades do capitalismo tardio potencializam ad infinitum a imagem, principalmente como veículo de alienação e consumo. Gigabytes de propagandas são despejados em nossas casas, sem permissão, vontade ou mínima distinção do consumidor, ora pela Televisão, ora pela Internet, mas especialmente pela ideologia que as grandes marcas constituem. O mundo real já não é tão facilmente distinguível do mundo virtual:

“A viceralidade desta nova era que eleva quantidade e dinamicidade à enésima potência, impelem os sujeitos a uma interação com o mundo virtual de uma forma também cada vez mais viceral e patológica, pois tal pressão macroestrutural gera a necessidade compulsiva de existir virtualmente. Neste estágio, tamanho o grau de absorção do mundo virtual para os sujeitos, que tal forma de ser confunde-se com a existência no mundo real, que sozinha, passa a ser esvaziada de sentido. Neste contexto, que encontra força motriz na enxurrada de estímulos audiovisuais que são descarregados incessantemente sobre os internautas, marcar a própria existência não poderia ter outra forma, a não ser um existir virtual fundamentado sobre uma imagem construída de si.” (PACÍFICO, M. 2009)


Neste contexto a arte vem emprestando forças para a denúncia. Mesmo frente a tantos corpos docilizados, sem forças ou vontade, onde o espírito oco reside inerte ao mundo, a arte em sua linguagem universal traduz a fome, a dor, a miséria e a guerra em uma instância que ainda nossos ouvidos conseguem ouvir. Na sociedade do espetáculo, somente o espetáculo do sofrimento humano poderia alcançar nossa visão entorpecida pelo ostracismo do não ser.



Fotos: Sebastião Salgado

12 comentários:

Lady disse...

olá
apesar de ter levado calote eu estou comentando no seu blog
http://grudeichicletes.blogspot.com/

Dancer disse...

o mundo se esconde

agora ele se esconde inibidamente

vc escreveu muito complicadamente o texto no blog, gostei mas muitas pessoas podem não entender, seja mais claro as vezes ;x

abraços

kacau disse...

realmente vc deveria ter escrito de maneira mais simples, mas esta valendo estamos vivendo num mundo consumista, eu acho que vc esta sendo duro em sua critica, vc esta generalizando, mas claro respeito sua opinião. Abrx


http://messnatural.blogspot.com/

Daniel Silva disse...

Teu blog é muito bom!

Abraço

Gabriel Alex disse...

Que feio, dando calote! rs
Texto legal.

http://www.gaalex.blogspot.com

Lady disse...

voltei
obrigada pelo comments
bjsss

O mundo de cada um disse...

Ótimo artigo e imagens muito bem colocadas.

Dancer disse...

bem aqui de novo, atualiza o blog poxa xD

espero voltar aqui, e com teu contexto mais válido
para a leitura fácil

não desvalorizando tuas ideias

abraços

Everaldo Júnior disse...

gostei muito do visual e principalmente do conteúdo. A poesia é de qualidade! Jogue duro!

Nova Quahog disse...

O MUNDO TA ACABANDO ,CARA!

ISRAEL "ISHELL" disse...

Manda ver Verbal Kahn!!!!!!
O blog tá muito loco...
Seus textos são muito bons!
Acho que tem que ser mais incisivo ainda

hahaha!!!

P.S: Mas infelizmente depois que o ser humano desenvolveu maior quantidade de sinapses... O capitalismo tornou-se inato de sua própria natureza.

Manoel Leonam disse...

Essas fotos abriram meu apetite!

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