27 de novembro de 2009

Essa tal Televisão

24 de novembro de 2009

Cadê meu dinheiro?

Ah o Natal se aproxima! sinto cheiro de capitalismo no ar!
dinheiro, dinheiro e dinheiro. Afinal estamos em um período de recuperação econômica...Mas agora vou sugerir uma breve reflexão do leitor.
Peguemos como exemplo o ano de 2008, pico da recessão econômica que assolou o mundo. A "marolinha" que chegou no Brasil, trouxe um dos maiores recuos no PIB trimestral de toda a era pós plano Real. Sim, o PIB encolheu.
Quando o JN fala do PIB, ele usa os dados do PIB líquido. Eu prefiro o PIB per capita. Imagine agora todo o dinheiro que o país produz. Agora imagine que esse dinheiro será divido entre toda a população brasileira. Digo TODA, pois não é somente a sociedade ativa, ou seja, aqueles que estão trabalhando, mas soma-se aqui aposentados e pensionistas, desempregados, donas de casa e crianças.



QUANTO RECEBERIA CADA UM SE TODO O DINHEIRO DO BRASIL FOSSE DIVIDIO ENTRE SEUS QUASE 200 MILHÕES DE HABITANTES?
Isto em uma época de forte recessão econômica...500 reais? 1000 reais? Segundo o IBGE o PIB líquido per capita no Brasil durante o trimestre de pico da recessão chegou ao valor de R$ 15.240,00.

Agora pense rápido: QUANTAS PESSOAS VOCÊ CONHECE QUE GANHAM ESTE VALOR OU MAIS? Sem considerar que 25% da população brasileira não trabalha...Ou seja, se o dinheiro fosse dividido entre todos os trabalhadores deste país, cada um receberia aproximadamente 21.481 R$ por mês


Agora me fica a pergunta...Cadê meu dinheiro? Eu preciso comprar um Mc Donald!!

23 de novembro de 2009

Martin Page


Martin Page é a melhor mescla entre a ironia refinida e incisiva de um bom crítico socia, com o pragmatismo descritivo projetivo de um bom escritor, e na minha avaliação, é disparado o melhor escritor da nova geração. Suas obras já ultrapassaram a literatura e chegaram ao teatro. Page esteve no Brasil em 2007.
Próximo de completar 35 anos, este francês que é graduado em antropologia, rasga as máscaras de nossa sociedade e de seus atores com extrema categoria. Embora seus livros orbitem sobre a mesma temática, ou seja, como a nossa configuração social definha os grandes espíritos, Page parece ter um repertório inesgotável que cheira constantemente a novo.
Sua capacidade descritiva é impressionante, e a composição entre características materiais e subjetivas transpõe o leitor para dentro do livro, tamanha a identificação causada. Com uma escrita extremamente rica, a obra de Page parece um coletivo de excertos, que por si ou em conjunto, expõe a mesma força crítica. As críticas do autor deixam transparecer um fino toque de humanismo, nos embates simultâneos de seus protagonistas ora consigo mesmo, ora com a sociedade, e em sua obra o drama e a comédia estão consubstanciados.

"Não é possível viver demasiadamente consciente, demasiadamente pensante. Aliás, observemos a natureza: tudo o que vive muito e contente não é inteligente. As tartarugas vivem séculos, a água é imortal, e Milton Friedman está sempre vivo. Na natureza, a consciência é a exceção; pode-se até postular que ela é um acidente, uma vez que ela não assegura nenhuma superioridade, nenhuma longevidade particular. No quadro da evolução das espécies, ela não é sinal de uma melhor adaptação. São os insetos que, em idade, em número e em território ocupado, são os verdadeiros mestres do planeta. A organização social das formigas, por exemplo, é muito mais bem-sucedida do que jamais será a nossa e nenhuma formiga tem cátedra na Sorbonne."
                        (Como me tornei um estúpido, Martin Page) 

Obra Mais Conhecida: Como me tornei um estúpido

21 de novembro de 2009

A estética da barbárie é a barbárie da estética?

Sobre a estética da barbárie, ou, primeira parte.

Fome, dor, miséria, guerra. As tragédias humanas perpetuam-se na história, talvez de forma mais significativa de que as grandes epopéias. O que marca mais o século XX do que as guerras mundiais e os movimentos totalitaristas, como o Nazismo de Hitler, e o Fascismo de Mussolini? Por que os dramas humanos nas artes têm efeito que alcança níveis superiores frente aos outros sentimentos, como a alegria, por exemplo?

A barbárie porém não é um elemento novo na história de nossa civilização, e seus resquícios são observáveis ainda hoje, na incipiência de um novo despertar. Por isso precisamos estar atentos, policiados espiritualmente, para que o gérmen da bárbarie que oculta moradia em pequenos gestos como a intolerância à diferença fazendo parte habitual do nosso cotidiano, não amaine nosso espiritual frente ao obscurantismo da nossa potência humana. O alerta contra a barbárie, por sua incidência velada, faz-se necessário, principalmente em nossos dias, visto o potencial bélico que as sociedades humanas alcançaram.



Não é segredo que as sociedades do capitalismo tardio potencializam ad infinitum a imagem, principalmente como veículo de alienação e consumo. Gigabytes de propagandas são despejados em nossas casas, sem permissão, vontade ou mínima distinção do consumidor, ora pela Televisão, ora pela Internet, mas especialmente pela ideologia que as grandes marcas constituem. O mundo real já não é tão facilmente distinguível do mundo virtual:

“A viceralidade desta nova era que eleva quantidade e dinamicidade à enésima potência, impelem os sujeitos a uma interação com o mundo virtual de uma forma também cada vez mais viceral e patológica, pois tal pressão macroestrutural gera a necessidade compulsiva de existir virtualmente. Neste estágio, tamanho o grau de absorção do mundo virtual para os sujeitos, que tal forma de ser confunde-se com a existência no mundo real, que sozinha, passa a ser esvaziada de sentido. Neste contexto, que encontra força motriz na enxurrada de estímulos audiovisuais que são descarregados incessantemente sobre os internautas, marcar a própria existência não poderia ter outra forma, a não ser um existir virtual fundamentado sobre uma imagem construída de si.” (PACÍFICO, M. 2009)


Neste contexto a arte vem emprestando forças para a denúncia. Mesmo frente a tantos corpos docilizados, sem forças ou vontade, onde o espírito oco reside inerte ao mundo, a arte em sua linguagem universal traduz a fome, a dor, a miséria e a guerra em uma instância que ainda nossos ouvidos conseguem ouvir. Na sociedade do espetáculo, somente o espetáculo do sofrimento humano poderia alcançar nossa visão entorpecida pelo ostracismo do não ser.



Fotos: Sebastião Salgado

17 de novembro de 2009

Tal Qual


Frágil sufrágio, soneto, adocicados sonhos
Os pulsos já tem compasso comprado:
Tal qual máquina, pontual bate o coração
há tempos esqueci dos sóis: a escuridão mora ao lado

Hoje percebi que minhas vontades pulsam
Pulsam e silenciam o que de mim neste quadro Goya há
Tal qual o abismo, o nada que varre, e sobrepõe
certo silêncios já me são costumeiros: minha vontade não pode reinar


Perdi, homem, céus, desejos de não querer
Perdi a voz ao calar a dor, não há belezas tão puras aqui
Tal qual o vale das sombras que tornei-me
o nada é o mais doloroso tudo que já sofri


Na dor tudo é confuso, contuso, concluo
E na vontade de desejar não querer
Tal qual meu corpo quando pensa em viver
abstraio e abduso, ter e ser.

Foto: Bill Brandt

8 de novembro de 2009

Arco Íris

Havia o tempo
E o tempo havia-me
Mas não me havia o tempo
Que via o tempo que há em mim:
E o gosto esmaeceu lisérgico, como o despertar de um sonho lúcido.

A saudades...sim, há saudades, mas quando não há, morremos
E finda-se o tempo que não via de haver em mim
Quando há, também morremos, mas venenosamente doce
Prefiro morrer das nossas dores, a sofrer pelo que foi
Outrora inerte ao que não foi.
Santos ponteiros que não me deixam parar,
Mas quando ando pareço junto
E quando deito sei que sou só

O tempo métrico me escapa na poesia.
Nela posso reordenar os sonhos
Como se na linearidade dos meus dissabores
Reside-se a felicidade de um compositor
Nas incertezas que esganam e angustiam
Mora o impulso da alma vazia
Que não encontra abrigo
Para ser radiante.

Desses intermeios do meu latifúndio
Aprendi socrático que nenhum conhecimento é fundo
Que caiba ao mundo uma certeza firme
No amarelo que sonhamos esmaeço novamente
Irremediavelmente viceral
Abandono-me ao ver-te
Podendo ser-te sem ter a mim


Foto: Henri C. Bresson

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